O grande problema das análises viscerais feitas depois de uma derrota é que, quase sempre, elas isolam um item ou dois da equação e desconsideram o contexto. Quando vencemos, somos excelentes ou estamos evoluindo; quando perdemos, nada tem valor e qualquer resultado é vergonhoso. Sentados em suas poltronas confortáveis, é muito mais fácil apontar o dedo para o que deveria ser feito ou não, como se não fosse sabido por todos.
O problema do Vitória nunca foi O QUE, mas sim O COMO.
Nesta temporada, “a diretoria não contratou nenhum jogador para o ataque com status de titular”. É um fato incontestável, mas quais são as opções disponíveis no mercado que estejam ao alcance de nossos cofres? Ronaldo Tavares, por exemplo, que está disputando a Série B, tem seu valor de mercado estimado entre €92 mil e €358 mil. Pedro Raul, que está sem espaço no Corinthians, ganha oitocentos mil reais por mês (ninguém no Vitória ganha isso).
A estratégia de nossa diretoria de buscar em mercados alternativos novos atletas é duramente criticada, como se nossas opções fossem amplas e irrestritas. Não é, nunca foi e provavelmente demorará muito até o dia em que seja possível viver isso. É fácil apontar como falha as vindas de Renzo, Pedro Henrique e Riccelli, por exemplo. Mas essa mesma estratégia trouxe-nos Wagner Leonardo, Dudu e Matheusinho. Esta é a linha limítrofe de negociações do Vitória: ou fazemos apostas ou buscamos bons jogadores em baixa em seus clubes que nos usem de trampolim. Se convença disto ou viva as delícias de suas frustrações e agonias.
“Absurdo”, “burro”, “você não é torcedor, Léo”. Eu já ouvi tudo isso, mas os sábios que proferiram estes versos quase líricos não souberam me dizer quais seriam as outras opções.
TRÊS COISAS BOAS E O RANÇO DO TORCEDOR
O Vitória, exceto por Caique, Ronald, Edenilson e Fabri, não relacionou nenhum jogador titular para a partida. Mesmo assim, Renzo e Riccelli se machucaram e foram vetados na véspera do jogo. Osvaldo foi a campo como falso nove, fez gol, meteu bola na trave e, com 39 anos, saiu de campo exausto, com câimbras. Nos primeiros trinta minutos de partida, mesmo com a evidente falta de entrosamento, nós dominamos o jogo, como todos esperávamos.
Jamerson, que, como é sabido por todos, tecnicamente é superior a Ramon, teve sua chance ontem como titular e falhou de maneira bizarra no lance do primeiro gol. Três minutos depois, Ronald, que a torcida desejava que fosse titular, nem que seja para descansar Martinez no time principal, em um lance de tiro de meta curto, inventou uma bola longa que expôs nossa defesa e deu o gol da virada aos caras. Depois disso, Lisca, que de doido não tem nada, estacionou um ônibus na zaga e garantiu a vitória do Belo.
Neste momento, entrou em cena um velho conhecido de nosso torcedor: o ranço. Os alvos foram Gabriel Vasconcelos, que teve de ouvir vaias sonoras após o segundo gol sempre que pegava na bola mesmo não tendo falhado no jogo, e Néris que, mesmo tendo feito uma boa partida ontem, recebeu a nota 4,3 na avaliação do público no GE. Duas coisas positivas podem, de fato, ser extraídas desta partida de ontem: a atuação de Tarzia, que, a meu ver, é uma questão de tempo para tomar a vaga de Cantalapiedra ou virar o substituto imediato de Matheusinho, mais uma sólida partida de Edenilson, e o fato de nosso time principal ter descansado.
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DOIS ERROS, DOIS GOLS… DE NOVO – POR EMERSON LEANDRO SILVA
O grande problema das análises viscerais feitas depois de uma derrota é que, quase sempre, elas isolam um item ou dois da equação e desconsideram o contexto. Quando vencemos, somos excelentes ou estamos evoluindo; quando perdemos, nada tem valor e qualquer resultado é vergonhoso. Sentados em suas poltronas confortáveis, é muito mais fácil apontar o dedo para o que deveria ser feito ou não, como se não fosse sabido por todos.
O problema do Vitória nunca foi O QUE, mas sim O COMO.
Nesta temporada, “a diretoria não contratou nenhum jogador para o ataque com status de titular”. É um fato incontestável, mas quais são as opções disponíveis no mercado que estejam ao alcance de nossos cofres? Ronaldo Tavares, por exemplo, que está disputando a Série B, tem seu valor de mercado estimado entre €92 mil e €358 mil. Pedro Raul, que está sem espaço no Corinthians, ganha oitocentos mil reais por mês (ninguém no Vitória ganha isso).
A estratégia de nossa diretoria de buscar em mercados alternativos novos atletas é duramente criticada, como se nossas opções fossem amplas e irrestritas. Não é, nunca foi e provavelmente demorará muito até o dia em que seja possível viver isso. É fácil apontar como falha as vindas de Renzo, Pedro Henrique e Riccelli, por exemplo. Mas essa mesma estratégia trouxe-nos Wagner Leonardo, Dudu e Matheusinho. Esta é a linha limítrofe de negociações do Vitória: ou fazemos apostas ou buscamos bons jogadores em baixa em seus clubes que nos usem de trampolim. Se convença disto ou viva as delícias de suas frustrações e agonias.
“Absurdo”, “burro”, “você não é torcedor, Léo”. Eu já ouvi tudo isso, mas os sábios que proferiram estes versos quase líricos não souberam me dizer quais seriam as outras opções.
TRÊS COISAS BOAS E O RANÇO DO TORCEDOR
O Vitória, exceto por Caique, Ronald, Edenilson e Fabri, não relacionou nenhum jogador titular para a partida. Mesmo assim, Renzo e Riccelli se machucaram e foram vetados na véspera do jogo. Osvaldo foi a campo como falso nove, fez gol, meteu bola na trave e, com 39 anos, saiu de campo exausto, com câimbras. Nos primeiros trinta minutos de partida, mesmo com a evidente falta de entrosamento, nós dominamos o jogo, como todos esperávamos.
Jamerson, que, como é sabido por todos, tecnicamente é superior a Ramon, teve sua chance ontem como titular e falhou de maneira bizarra no lance do primeiro gol. Três minutos depois, Ronald, que a torcida desejava que fosse titular, nem que seja para descansar Martinez no time principal, em um lance de tiro de meta curto, inventou uma bola longa que expôs nossa defesa e deu o gol da virada aos caras. Depois disso, Lisca, que de doido não tem nada, estacionou um ônibus na zaga e garantiu a vitória do Belo.
Neste momento, entrou em cena um velho conhecido de nosso torcedor: o ranço. Os alvos foram Gabriel Vasconcelos, que teve de ouvir vaias sonoras após o segundo gol sempre que pegava na bola mesmo não tendo falhado no jogo, e Néris que, mesmo tendo feito uma boa partida ontem, recebeu a nota 4,3 na avaliação do público no GE. Duas coisas positivas podem, de fato, ser extraídas desta partida de ontem: a atuação de Tarzia, que, a meu ver, é uma questão de tempo para tomar a vaga de Cantalapiedra ou virar o substituto imediato de Matheusinho, mais uma sólida partida de Edenilson, e o fato de nosso time principal ter descansado.
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