A irritante disciplina japonesa já era algo esperado por nós e, de fato, aconteceu. Saímos atrás no placar, fomos buscar o empate e viramos a partida. Este resultado só foi possível por conta da coragem e do pragmatismo de Carlo Ancelotti. Hajime Moriyasu, o treinador do Japão, está no cargo há oito anos e conseguiu implementar um rigor tático que nos pôs diante de uma linha com cinco jogadores e de um poder de contra-ataque avassalador.
Carleto está há um ano e uns quebrados no comando do Brasil, mas, senhores, o “véio” é técnico há trinta e quatro anos. E não é um técnico qualquer, é um multicampeão. O jogo de hoje deu a dimensão do porquê de ele ter conquistado tanto até aqui. Ele não é o herói porque vencemos, nem seria o vilão se perdêssemos, mas montar um time competitivo, pragmático e eficiente é uma função que ele desempenha muito bem, e isto foi essencial para conquistarmos a classificação.
O mundo, a imprensa e grande parte dos torcedores brasileiros parecem esperar ver em campo uma seleção brasileira cuja “mística” de nossa camisa resplandeça a tal ponto que faça nossos adversários tremerem na base com a nossa entrada em campo. Eu insisto: Carletto não tem o menor compromisso com estas expectativas. Ele faz o que é preciso para vencer. “Ah, jogar bola na área é desespero e jogo feio.”
Jogar “bonito” só nos serve para massagear nossos egos. Não cria times vencedores e tampouco se sustenta de maneira sólida ao longo da história. Em suma, em bom baianês, “deixe de xaxo”. Todos nós queremos vencer e, se isto é feito com a plasticidade e o refino técnico daquela jogada de Vini Jr., ótimo. Mas que fique claro: no nível de competição da Copa do Mundo, ela não pode ser a estratégia. São lampejos, um trunfo a mais que temos a nosso favor.
NÃO É FUTEBOL, É XADREZ
Carlo Ancelotti não está nem aí para o encanto, é um homem de resultados. Meteu um 4-2-4, perdendo o jogo em uma Copa do Mundo, orientou o time a pisar na área e viu o empate ser construído justamente por um cara que, no lance do gol, estava sendo crucificado pela imprensa. Casemiro faz este tipo de gol na Premier League, no Manchester, fazia no Real Madrid de Ancelotti e, por isso, não foi substituído, mesmo estando amarelado.
Depois que fizemos o primeiro gol, os oito anos à frente do cargo fizeram o treinador japonês enxergar a “maldade” de Carleto. Então, ele substituiu seus dois pontas por volantes, aumentando o poder de marcação pelas pontas e impedindo os cruzamentos feitos pelo Brasil, já que, como era sabido, a bola aérea é o calcanhar de Aquiles dos caras.
Quando tudo parecia caminhar naturalmente para uma prorrogação, Carleto colocou em campo Gabriel Martinelli, surpreendentemente pelo meio, e não pelas pontas, como era de se esperar. Ele tinha apenas duas funções, recompor defensivamente os contra-ataques japoneses e ser um elemento surpresa que pisaria na área adversária, bem, o resultado foi um gol. Após passe açucarado de Bruno Guimarães, veio a virada no placar e a nossa classificação.
“O Brasil não é mais o mesmo”, “Brasil estéril”, “não é mais vistoso”, “falta magia”, “tem mais camisa do que futebol”.
A imprensa internacional da França, da Argentina e da Espanha noticiou assim a nossa classificação. Eles e o atacante japonês, que acreditam que não somos mais os mesmos, estão certos. Acontece que isto não deve ser visto por nós como uma ofensa, mas sim como uma constatação óbvia. A maneira de jogar este esporte mudou e nós, assim como outras seleções, também mudamos. O “espetáculo”, a “mística” e a “camisa pesada” são expressões fadadas ao fracasso se forem utilizadas para prever resultados.
No fim das contas, ninguém lembra de como as vitórias foram conquistadas, apenas que elas existem. É por isso que somos a única seleção pentacampeã do mundo. E, sejamos francos, churrasco é muito melhor do que sushi!
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CHURRASCO É MELHOR QUE SUSHI – POR EMERSON LEANDRO SILVA
A irritante disciplina japonesa já era algo esperado por nós e, de fato, aconteceu. Saímos atrás no placar, fomos buscar o empate e viramos a partida. Este resultado só foi possível por conta da coragem e do pragmatismo de Carlo Ancelotti. Hajime Moriyasu, o treinador do Japão, está no cargo há oito anos e conseguiu implementar um rigor tático que nos pôs diante de uma linha com cinco jogadores e de um poder de contra-ataque avassalador.
Carleto está há um ano e uns quebrados no comando do Brasil, mas, senhores, o “véio” é técnico há trinta e quatro anos. E não é um técnico qualquer, é um multicampeão. O jogo de hoje deu a dimensão do porquê de ele ter conquistado tanto até aqui. Ele não é o herói porque vencemos, nem seria o vilão se perdêssemos, mas montar um time competitivo, pragmático e eficiente é uma função que ele desempenha muito bem, e isto foi essencial para conquistarmos a classificação.
O mundo, a imprensa e grande parte dos torcedores brasileiros parecem esperar ver em campo uma seleção brasileira cuja “mística” de nossa camisa resplandeça a tal ponto que faça nossos adversários tremerem na base com a nossa entrada em campo. Eu insisto: Carletto não tem o menor compromisso com estas expectativas. Ele faz o que é preciso para vencer. “Ah, jogar bola na área é desespero e jogo feio.”
Jogar “bonito” só nos serve para massagear nossos egos. Não cria times vencedores e tampouco se sustenta de maneira sólida ao longo da história. Em suma, em bom baianês, “deixe de xaxo”. Todos nós queremos vencer e, se isto é feito com a plasticidade e o refino técnico daquela jogada de Vini Jr., ótimo. Mas que fique claro: no nível de competição da Copa do Mundo, ela não pode ser a estratégia. São lampejos, um trunfo a mais que temos a nosso favor.
NÃO É FUTEBOL, É XADREZ
Carlo Ancelotti não está nem aí para o encanto, é um homem de resultados. Meteu um 4-2-4, perdendo o jogo em uma Copa do Mundo, orientou o time a pisar na área e viu o empate ser construído justamente por um cara que, no lance do gol, estava sendo crucificado pela imprensa. Casemiro faz este tipo de gol na Premier League, no Manchester, fazia no Real Madrid de Ancelotti e, por isso, não foi substituído, mesmo estando amarelado.
Depois que fizemos o primeiro gol, os oito anos à frente do cargo fizeram o treinador japonês enxergar a “maldade” de Carleto. Então, ele substituiu seus dois pontas por volantes, aumentando o poder de marcação pelas pontas e impedindo os cruzamentos feitos pelo Brasil, já que, como era sabido, a bola aérea é o calcanhar de Aquiles dos caras.
Quando tudo parecia caminhar naturalmente para uma prorrogação, Carleto colocou em campo Gabriel Martinelli, surpreendentemente pelo meio, e não pelas pontas, como era de se esperar. Ele tinha apenas duas funções, recompor defensivamente os contra-ataques japoneses e ser um elemento surpresa que pisaria na área adversária, bem, o resultado foi um gol. Após passe açucarado de Bruno Guimarães, veio a virada no placar e a nossa classificação.
“O Brasil não é mais o mesmo”, “Brasil estéril”, “não é mais vistoso”, “falta magia”, “tem mais camisa do que futebol”.
A imprensa internacional da França, da Argentina e da Espanha noticiou assim a nossa classificação. Eles e o atacante japonês, que acreditam que não somos mais os mesmos, estão certos. Acontece que isto não deve ser visto por nós como uma ofensa, mas sim como uma constatação óbvia. A maneira de jogar este esporte mudou e nós, assim como outras seleções, também mudamos. O “espetáculo”, a “mística” e a “camisa pesada” são expressões fadadas ao fracasso se forem utilizadas para prever resultados.
No fim das contas, ninguém lembra de como as vitórias foram conquistadas, apenas que elas existem. É por isso que somos a única seleção pentacampeã do mundo. E, sejamos francos, churrasco é muito melhor do que sushi!
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