A NOVA CRISE DO BAHIA – por Bernardo Cortizo

Por Por 13/ 08/ 2025Categorias: Bahia, Futebol

Tenho refletido muito, caro leitor, sobre o Bahia e a nova cultura das redes sociais que, na busca do engajamento constante, precisam produzir um alto volume de conteúdos pasteurizados, rápidos e sem aprofundamento. E é exatamente assim que vejo hoje a maior parte dos conteúdos relacionados ao Bahia: vídeos curtos, sem análises profundas, com foco em gerar o máximo de engajamento, na maioria das vezes com títulos clickbaits que usam manchetes fortes para atrair audiência. São os algoritmos que impulsionam conteúdos de qualquer tema assim: promessas gigantes, conflitos, polêmicas e tretas. “Bomba, jogador mega ultra power negocia com o Bahia!”, “Bahia tem time para ganhar a Libertadores, diz o melhor apresentador de programa esportivo do Sudeste!”, “ABSURDO! O Bahia não tem goleiro! Acorda, Santoro!”. Esse é o padrão de conteúdo hoje sobre o Bahia.

A nova crise do Bahia

Essa regra do algoritmo hoje está se tornando o padrão de torcer para o Bahia: no começo, mega empolgação; no meio, expectativas muito acima da realidade; e na sequência, a mega frustração quando a realidade se impõe. Essa é a NOVA CRISE DO BAHIA. Antes, nossas crises eram Série C, 7 anos fora da A, goleadas históricas para o rival e para clubes como o Ferroviário (nem lembro de onde). Era com essas crises que estávamos acostumados, e nossa luta era justamente para o Bahia sair de uma administração amadora, que usava o Bahia como trampolim e pouco se importava com os aspectos cruciais de gestão que impactam diretamente no resultado esportivo. Nossa luta por democracia era essencialmente para permitir ao Bahia gestões de longo prazo, que mantivessem a casa em ordem, as contas em dia e as diretrizes de administração acima de resultados imediatos no futebol. Tudo isso porque conseguimos, naquelas crises, entender que, mais que jogador, treinador, goleiro ou sei mais o quê, o Bahia precisa ser pensado para além do dia seguinte. O Bahia precisava ser pensado para atrair resultados graduais e consistentes, para só assim, depois de quitar dívidas, melhorar a infraestrutura e finalmente voltar à relevância, para quem sabe um dia voltar a ganhar um Brasileiro e ir a uma Libertadores. Essa era nossa luta: fazer o Bahia superar a grande crise de 1990 até 2013, 23 anos de profunda crise, real, concreta, que quase nos levou à extinção.

Do drama histórico à “boa crise” atual

Mas agora, com a SAF, com o Grupo City, com os algoritmos, temos um novo modelo de crise, onde um time em 4º lugar no Brasileiro, há 7 jogos seguidos sem perder, porque oscilou e falhou em lances primários, passa a ser o time da vergonha, do absurdo, do vexame. A diretoria que hoje arrumou a casa, quitou dívidas, trouxe jogadores de impacto, que não perde jogadores importantes, é omissa por falhas pontuais que custaram pontos, é verdade, mas que claramente são pontuais. Calma, cocada, futebol não é ciência exata. Ao mesmo tempo que a bola não entra (lá ele) por acaso, equilibrar tudo isso em meio à implantação de novas metodologias, técnicas, treinos, equipamentos, reestruturação da base, do marketing, de tudo, projetando um novo CT ainda maior e mais moderno é justamente o que a gente tanto lutou para que o Bahia tivesse em 30, 40 anos. Isso mudou, agora é 5, 10 anos, e veja: com a correção dessas falhas pontuais, pode ser este ano, numa Copa do Brasil. Cara, essa nova crise do Bahia é boa demais! Quem dera os últimos 30 anos nossa crise fosse metade do que vivemos hoje.

O equilíbrio entre cobrança e reconhecimento

Mas aí, nobre tricolor, você pode dizer: “passador de pano”, “tudo isso para achar que está tudo perfeito”, “papo de cityminion”. E vou dizer: isso é liberdade de expressão. Se estou aqui expondo minha visão, você tem o direito de criticá-la, por óbvio. Mas digo além: penso que este texto é um convite para que possamos cobrar nossa diretoria, mas num tom correto, celebrando que nosso contexto mudou. Hoje, a nova crise é estar em 4º, puto com falhas primárias no gol, que podem custar caro no fim do campeonato. E de verdade, zero problema estar puto com essas falhas, zero mesmo, eu estou. Mas o tom que devemos dar às nossas críticas deve ser outro. O momento é de reconhecer os acertos, celebrar o momento e cobrar por mais: cobrar por um goleiro à altura do nosso novo momento, cobrar um ponta esquerda para não sobrecarregar ainda mais Pulga. Não é cobrar por incompetência que concretamente não existe, é cobrar mais eficiência para acelerar o projeto, aproveitando janelas de oportunidade como essa Copa do Brasil. Podemos sim brigar pelo título, mas não sem um goleiro à altura disso, não sem reposição à contusão de Kanu e não sem um ponta para ajudar de verdade Pulga a descansar e contribuir para o elenco. É perfeitamente possível competir e lutar por esse título, e devemos sim cobrar por esse passo, mas com sabedoria e sem achar que essa é nossa obrigação do momento, sem a soberba de achar que somos melhor que Real Madrid e PSG, como diz Binha. Vamos com pé no chão, sabendo que existem janelas de oportunidade que podem abreviar etapas e nos ajudar numa terceira estrela antes do que o previsto.

A responsabilidade da torcida

Somos a torcida que encheu estádios na Série C, que se mantém como top 5 em presença de público nos últimos 40 anos no país. Nós, como torcida, também podemos nos cobrar, podemos mais do que repetir jargões, do que aplaudir jornalista que faz desabafo de torcedor em coletiva de técnico. Nós podemos cobrar mais qualidade, mais profundidade. Podemos e devemos cobrar um entendimento do clube, do impacto da janela de meio de ano para o bagunçado futebol brasileiro, de que se vamos jogar sempre com o goleiro tendo extrema importância em saber jogar com os pés, então temos de ter goleiros à altura disso e com preparadores igualmente competentes para isso. Podemos cobrar um pouco mais de esforço para testar a base, mesmo que isso desfalque os times sub-17 e sub-20. Algumas peças, se não incorporadas ao elenco principal, sem treinar e jogar, jamais vão estar 100% prontas. Enfim, poderia passar mais tempo aqui elencando onde podemos mais também, mas vou me ater a ficar por aqui, pois afinal também não somos de ferro, e o Bahia, como sempre digo, é um sentimento.

Vamos juntos por mais. BBMP!

Um comentário

  1. Paulo Moreira agosto 13, 2025 at 8:40 pm

    Assim nunca teremos a terceira. estrela. Acorda imprensa. Porque a torcida já acordou e sonha alto

Diga aí. Que achou?

Compartilhe nas redes

A NOVA CRISE DO BAHIA – por Bernardo Cortizo

Por Por 13/ 08/ 2025Categorias: Bahia, Futebol

Tenho refletido muito, caro leitor, sobre o Bahia e a nova cultura das redes sociais que, na busca do engajamento constante, precisam produzir um alto volume de conteúdos pasteurizados, rápidos e sem aprofundamento. E é exatamente assim que vejo hoje a maior parte dos conteúdos relacionados ao Bahia: vídeos curtos, sem análises profundas, com foco em gerar o máximo de engajamento, na maioria das vezes com títulos clickbaits que usam manchetes fortes para atrair audiência. São os algoritmos que impulsionam conteúdos de qualquer tema assim: promessas gigantes, conflitos, polêmicas e tretas. “Bomba, jogador mega ultra power negocia com o Bahia!”, “Bahia tem time para ganhar a Libertadores, diz o melhor apresentador de programa esportivo do Sudeste!”, “ABSURDO! O Bahia não tem goleiro! Acorda, Santoro!”. Esse é o padrão de conteúdo hoje sobre o Bahia.

A nova crise do Bahia

Essa regra do algoritmo hoje está se tornando o padrão de torcer para o Bahia: no começo, mega empolgação; no meio, expectativas muito acima da realidade; e na sequência, a mega frustração quando a realidade se impõe. Essa é a NOVA CRISE DO BAHIA. Antes, nossas crises eram Série C, 7 anos fora da A, goleadas históricas para o rival e para clubes como o Ferroviário (nem lembro de onde). Era com essas crises que estávamos acostumados, e nossa luta era justamente para o Bahia sair de uma administração amadora, que usava o Bahia como trampolim e pouco se importava com os aspectos cruciais de gestão que impactam diretamente no resultado esportivo. Nossa luta por democracia era essencialmente para permitir ao Bahia gestões de longo prazo, que mantivessem a casa em ordem, as contas em dia e as diretrizes de administração acima de resultados imediatos no futebol. Tudo isso porque conseguimos, naquelas crises, entender que, mais que jogador, treinador, goleiro ou sei mais o quê, o Bahia precisa ser pensado para além do dia seguinte. O Bahia precisava ser pensado para atrair resultados graduais e consistentes, para só assim, depois de quitar dívidas, melhorar a infraestrutura e finalmente voltar à relevância, para quem sabe um dia voltar a ganhar um Brasileiro e ir a uma Libertadores. Essa era nossa luta: fazer o Bahia superar a grande crise de 1990 até 2013, 23 anos de profunda crise, real, concreta, que quase nos levou à extinção.

Do drama histórico à “boa crise” atual

Mas agora, com a SAF, com o Grupo City, com os algoritmos, temos um novo modelo de crise, onde um time em 4º lugar no Brasileiro, há 7 jogos seguidos sem perder, porque oscilou e falhou em lances primários, passa a ser o time da vergonha, do absurdo, do vexame. A diretoria que hoje arrumou a casa, quitou dívidas, trouxe jogadores de impacto, que não perde jogadores importantes, é omissa por falhas pontuais que custaram pontos, é verdade, mas que claramente são pontuais. Calma, cocada, futebol não é ciência exata. Ao mesmo tempo que a bola não entra (lá ele) por acaso, equilibrar tudo isso em meio à implantação de novas metodologias, técnicas, treinos, equipamentos, reestruturação da base, do marketing, de tudo, projetando um novo CT ainda maior e mais moderno é justamente o que a gente tanto lutou para que o Bahia tivesse em 30, 40 anos. Isso mudou, agora é 5, 10 anos, e veja: com a correção dessas falhas pontuais, pode ser este ano, numa Copa do Brasil. Cara, essa nova crise do Bahia é boa demais! Quem dera os últimos 30 anos nossa crise fosse metade do que vivemos hoje.

O equilíbrio entre cobrança e reconhecimento

Mas aí, nobre tricolor, você pode dizer: “passador de pano”, “tudo isso para achar que está tudo perfeito”, “papo de cityminion”. E vou dizer: isso é liberdade de expressão. Se estou aqui expondo minha visão, você tem o direito de criticá-la, por óbvio. Mas digo além: penso que este texto é um convite para que possamos cobrar nossa diretoria, mas num tom correto, celebrando que nosso contexto mudou. Hoje, a nova crise é estar em 4º, puto com falhas primárias no gol, que podem custar caro no fim do campeonato. E de verdade, zero problema estar puto com essas falhas, zero mesmo, eu estou. Mas o tom que devemos dar às nossas críticas deve ser outro. O momento é de reconhecer os acertos, celebrar o momento e cobrar por mais: cobrar por um goleiro à altura do nosso novo momento, cobrar um ponta esquerda para não sobrecarregar ainda mais Pulga. Não é cobrar por incompetência que concretamente não existe, é cobrar mais eficiência para acelerar o projeto, aproveitando janelas de oportunidade como essa Copa do Brasil. Podemos sim brigar pelo título, mas não sem um goleiro à altura disso, não sem reposição à contusão de Kanu e não sem um ponta para ajudar de verdade Pulga a descansar e contribuir para o elenco. É perfeitamente possível competir e lutar por esse título, e devemos sim cobrar por esse passo, mas com sabedoria e sem achar que essa é nossa obrigação do momento, sem a soberba de achar que somos melhor que Real Madrid e PSG, como diz Binha. Vamos com pé no chão, sabendo que existem janelas de oportunidade que podem abreviar etapas e nos ajudar numa terceira estrela antes do que o previsto.

A responsabilidade da torcida

Somos a torcida que encheu estádios na Série C, que se mantém como top 5 em presença de público nos últimos 40 anos no país. Nós, como torcida, também podemos nos cobrar, podemos mais do que repetir jargões, do que aplaudir jornalista que faz desabafo de torcedor em coletiva de técnico. Nós podemos cobrar mais qualidade, mais profundidade. Podemos e devemos cobrar um entendimento do clube, do impacto da janela de meio de ano para o bagunçado futebol brasileiro, de que se vamos jogar sempre com o goleiro tendo extrema importância em saber jogar com os pés, então temos de ter goleiros à altura disso e com preparadores igualmente competentes para isso. Podemos cobrar um pouco mais de esforço para testar a base, mesmo que isso desfalque os times sub-17 e sub-20. Algumas peças, se não incorporadas ao elenco principal, sem treinar e jogar, jamais vão estar 100% prontas. Enfim, poderia passar mais tempo aqui elencando onde podemos mais também, mas vou me ater a ficar por aqui, pois afinal também não somos de ferro, e o Bahia, como sempre digo, é um sentimento.

Vamos juntos por mais. BBMP!

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Um comentário

  1. Paulo Moreira agosto 13, 2025 at 8:40 pm

    Assim nunca teremos a terceira. estrela. Acorda imprensa. Porque a torcida já acordou e sonha alto

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