O torcedor da Seleção Brasileira, no geral, não gosta do time, nem do jogo em si; gosta da sensação de vitória que a canarinho lhe proporciona. É por isso que, sempre que somos eliminados em uma Copa do Mundo, os discursos são os mesmos de sempre: condenam a geração, comparam com a anterior, apontam culpados, fazem análises que provam por A mais B o quanto nosso elenco é miserável.
O último estágio desse carrossel de emoções ruins é apelar para superstições, teorias da conspiração ou simplesmente cravar que o que vemos em campo, há muitos anos, é um bando de mercenários que não ama, nem respeita o manto sagrado da amarelinha. “O time não tem brio”, “jogador sem raça”, “postura vergonhosa” e por aí vai. Se alguém tentar apresentar algum outro tipo de argumento que não reforce esse tipo de ideia, será veementemente rechaçado.
A gente não sabe perder, esta é a verdade. Na final contra a França, em 98, vendemos o título; em 2006, contra a França novamente, Roberto Carlos foi apontado como suspeito; contra a Alemanha, ficou evidente que a partida foi comprada, é claro. Ontem, contra a Noruega, Neymar é a bola da vez. Não importa o quão ridículo seja o argumento ou o bode expiatório, desde que ele sirva para confortar nosso espírito de engenheiro de obra pronta, que cravou antecipadamente um “eu avisei” no início da copa, e nos faça fugir do óbvio: jogamos mal e perdemos.
O JOGO E O ROTEIRO PREDEFINIDO
Todo mundo sabia que a Noruega teria uma alta posse de bola, cozinharia a partida na tentativa de atrair o Brasil e explorar ou o contra-ataque, ou a bola direta para uma de suas torres no ataque, ganhar duelos e fazer seu golzinho. Ancelotti, na contraofensiva, não mordeu a isca, deixou suas linhas defensivas baixas, apostou na estratégia de não permitir que a bola chegasse em Haaland e usaria a velocidade de Vinicius Jr., Martinelli e Cunha para marcarmos.
O plano de Carletto estava funcionando melhor e, quando Cunha sofreu o pênalti, eu vi uma chance real de ele se tornar ainda mais efetivo. Acontece que, no futebol, cada dia é uma vida e, se no jogo passado Bruno Guimarães foi o herói ao achar o passe mágico para Martinelli, no jogo de ontem ele foi alçado ao posto de vilão por perder o penalti. Apesar do baque, o time não sentiu, o jogo voltou ao seu modus operandi e aí perdemos chances claras de inaugurar o marcador, tanto no primeiro tempo quanto no segundo.
Quando voltamos para a segunda etapa, o técnico dos caras atacou nossa fraqueza, trocou seus pontas por jogadores mais agudos e descansados e, de tanto martelar, acharam a primeira chance, e Haaland marcou; teve a eficiência que nos faltou, chutou três bolas, marcou dois gols e o resto é história. A Noruega repetiu a letalidade e a eficácia que apresentou na Eurocopa e conseguiu a classificação.
Eu, como otimista inveterado que sou, mesmo chateado com o resultado, sigo dizendo que nossa maior chance rumo ao hexa é a capacidade de leitura de jogo de Ancelotti. O bom, a meu ver, é que ele segue no cargo até 2030 e, com tempo para montar e treinar o time, ele nos levará à final da próxima Copa do Mundo.
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ACHAMOS, MAS NÃO FIZEMOS E QUEM NÃO FAZ… – POR EMERSON LEANDRO SILVA
O torcedor da Seleção Brasileira, no geral, não gosta do time, nem do jogo em si; gosta da sensação de vitória que a canarinho lhe proporciona. É por isso que, sempre que somos eliminados em uma Copa do Mundo, os discursos são os mesmos de sempre: condenam a geração, comparam com a anterior, apontam culpados, fazem análises que provam por A mais B o quanto nosso elenco é miserável.
O último estágio desse carrossel de emoções ruins é apelar para superstições, teorias da conspiração ou simplesmente cravar que o que vemos em campo, há muitos anos, é um bando de mercenários que não ama, nem respeita o manto sagrado da amarelinha. “O time não tem brio”, “jogador sem raça”, “postura vergonhosa” e por aí vai. Se alguém tentar apresentar algum outro tipo de argumento que não reforce esse tipo de ideia, será veementemente rechaçado.
A gente não sabe perder, esta é a verdade. Na final contra a França, em 98, vendemos o título; em 2006, contra a França novamente, Roberto Carlos foi apontado como suspeito; contra a Alemanha, ficou evidente que a partida foi comprada, é claro. Ontem, contra a Noruega, Neymar é a bola da vez. Não importa o quão ridículo seja o argumento ou o bode expiatório, desde que ele sirva para confortar nosso espírito de engenheiro de obra pronta, que cravou antecipadamente um “eu avisei” no início da copa, e nos faça fugir do óbvio: jogamos mal e perdemos.
O JOGO E O ROTEIRO PREDEFINIDO
Todo mundo sabia que a Noruega teria uma alta posse de bola, cozinharia a partida na tentativa de atrair o Brasil e explorar ou o contra-ataque, ou a bola direta para uma de suas torres no ataque, ganhar duelos e fazer seu golzinho. Ancelotti, na contraofensiva, não mordeu a isca, deixou suas linhas defensivas baixas, apostou na estratégia de não permitir que a bola chegasse em Haaland e usaria a velocidade de Vinicius Jr., Martinelli e Cunha para marcarmos.
O plano de Carletto estava funcionando melhor e, quando Cunha sofreu o pênalti, eu vi uma chance real de ele se tornar ainda mais efetivo. Acontece que, no futebol, cada dia é uma vida e, se no jogo passado Bruno Guimarães foi o herói ao achar o passe mágico para Martinelli, no jogo de ontem ele foi alçado ao posto de vilão por perder o penalti. Apesar do baque, o time não sentiu, o jogo voltou ao seu modus operandi e aí perdemos chances claras de inaugurar o marcador, tanto no primeiro tempo quanto no segundo.
Quando voltamos para a segunda etapa, o técnico dos caras atacou nossa fraqueza, trocou seus pontas por jogadores mais agudos e descansados e, de tanto martelar, acharam a primeira chance, e Haaland marcou; teve a eficiência que nos faltou, chutou três bolas, marcou dois gols e o resto é história. A Noruega repetiu a letalidade e a eficácia que apresentou na Eurocopa e conseguiu a classificação.
Eu, como otimista inveterado que sou, mesmo chateado com o resultado, sigo dizendo que nossa maior chance rumo ao hexa é a capacidade de leitura de jogo de Ancelotti. O bom, a meu ver, é que ele segue no cargo até 2030 e, com tempo para montar e treinar o time, ele nos levará à final da próxima Copa do Mundo.
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