A Copa do Mundo deste ano trouxe consigo a consolidação de um fato sabido por todos há muito tempo. O futebol é um esporte majoritariamente coletivo e, por mais que a imprensa e o mercado publicitário insistam em criar narrativas voltadas à individualização e à criação de heróis e vilões, além das teorias conspiracionistas que os torcedores amam acreditar, a sua universalização contradiz esse raciocínio.
O maior evento futebolístico do planeta deste ano, como tem sido em suas edições anteriores, lançará tendências que vão se espalhar por todo o planeta, transformando a maneira de praticar este esporte. A Premier League, a mais poderosa competição de clubes do planeta, nesta última temporada vem dando sinais claros de que os tempos são outros. A aplicação tática e os refinamentos de treinos específicos voltados a partes do jogo, basicamente, deram o título ao Arsenal, que estava há mais de duas décadas na fila.
ZEBRAS NÃO EXISTEM, APENAS ANÁLISES PRECONCEITUOSAS
Cabo Verde empata contra a Espanha e Vozinha é elevado ao status de herói. Arábia Saudita e Uruguai não saem do zero a zero e a narrativa é centrada no argumento: “mais um time sul-americano é surpreendido”. Congo e Portugal, Bélgica e Egito, e ontem Curaçao e Equador viram os cronistas esportivos mais saudosistas e, a meu ver, preconceituosos, dizerem que o que estamos vendo é quase a ascensão do antifutebol.
A verdade é que a aplicação tática dessas equipes ditas inferiores começou a equilibrar a balança. A grande ironia é que o mercado futebolístico é o principal responsável por esse fato. Afinal, o fluxo migratório, cada vez mais precoce, de jogadores de países subdesenvolvidos para as grandes ligas europeias, onde sabidamente o profissionalismo e a tecnologia são superiores, sedimentou esses resultados “surpreendentes”.
A leitura da universalização dessa nova consciência tática, unida à preparação física dos atletas, não é preditora de sucesso com 100% de certeza, é claro. Mas certamente aumenta as chances de equipes menos tradicionais, e os atuais resultados demonstram isso. É justamente por isso que, mais do que nunca, a capacidade de improviso, os lances individuais e o pragmatismo ao analisar cada momento do jogo serão fatores decisivos nesta Copa e, daqui por diante, no futebol mundial.
Carlo Ancelotti é, a meu ver, um treinador que entende isso de maneira profunda. O seu Real Madrid se notabilizou justamente pelo olhar pragmático ante as partidas, e não pela graça e pelo encantamento do futebol praticado. Ele e seu modo de encarar o jogo são nosso maior trunfo nesta Copa e nos farão chegar longe. No entanto, o lado político que governa os bastidores de nossa seleção é o grande adversário a ser batido. Afinal, times extremamente competitivos neste novo cenário futebolístico exigem trabalhos longevos e Carlo está apenas a um ano e uns quebrados à frente da Seleção Brasileira.
Todos nós sabemos que quase tudo o que envolve a seleção brasileira é revestido de resultadismo ou análises superficiais de um saudosismo infantil. A última vez que chegamos como favoritos a uma Copa do Mundo e vencemos foi em 1962. Depois disso, todas as nossas participações foram vistas com desconfiança e/ou, a exemplo desta, nossos jogadores foram ridicularizados e comparados com craques do passado que, na época, também eram ridicularizados.
Tudo isto me faz crer que o Hexa está a caminho. Torço para que seja neste ano, mas se mantivermos a lógica pragmática em detrimento das narrativas saudosistas, superficiais e publicitárias, além de evitarmos o resultadismo, é apenas uma questão de tempo.
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SOMOS A MAIOR ZEBRA DESTA COPA, ASSIM ESPERO
A Copa do Mundo deste ano trouxe consigo a consolidação de um fato sabido por todos há muito tempo. O futebol é um esporte majoritariamente coletivo e, por mais que a imprensa e o mercado publicitário insistam em criar narrativas voltadas à individualização e à criação de heróis e vilões, além das teorias conspiracionistas que os torcedores amam acreditar, a sua universalização contradiz esse raciocínio.
O maior evento futebolístico do planeta deste ano, como tem sido em suas edições anteriores, lançará tendências que vão se espalhar por todo o planeta, transformando a maneira de praticar este esporte. A Premier League, a mais poderosa competição de clubes do planeta, nesta última temporada vem dando sinais claros de que os tempos são outros. A aplicação tática e os refinamentos de treinos específicos voltados a partes do jogo, basicamente, deram o título ao Arsenal, que estava há mais de duas décadas na fila.
ZEBRAS NÃO EXISTEM, APENAS ANÁLISES PRECONCEITUOSAS
Cabo Verde empata contra a Espanha e Vozinha é elevado ao status de herói. Arábia Saudita e Uruguai não saem do zero a zero e a narrativa é centrada no argumento: “mais um time sul-americano é surpreendido”. Congo e Portugal, Bélgica e Egito, e ontem Curaçao e Equador viram os cronistas esportivos mais saudosistas e, a meu ver, preconceituosos, dizerem que o que estamos vendo é quase a ascensão do antifutebol.
A verdade é que a aplicação tática dessas equipes ditas inferiores começou a equilibrar a balança. A grande ironia é que o mercado futebolístico é o principal responsável por esse fato. Afinal, o fluxo migratório, cada vez mais precoce, de jogadores de países subdesenvolvidos para as grandes ligas europeias, onde sabidamente o profissionalismo e a tecnologia são superiores, sedimentou esses resultados “surpreendentes”.
A leitura da universalização dessa nova consciência tática, unida à preparação física dos atletas, não é preditora de sucesso com 100% de certeza, é claro. Mas certamente aumenta as chances de equipes menos tradicionais, e os atuais resultados demonstram isso. É justamente por isso que, mais do que nunca, a capacidade de improviso, os lances individuais e o pragmatismo ao analisar cada momento do jogo serão fatores decisivos nesta Copa e, daqui por diante, no futebol mundial.
Carlo Ancelotti é, a meu ver, um treinador que entende isso de maneira profunda. O seu Real Madrid se notabilizou justamente pelo olhar pragmático ante as partidas, e não pela graça e pelo encantamento do futebol praticado. Ele e seu modo de encarar o jogo são nosso maior trunfo nesta Copa e nos farão chegar longe. No entanto, o lado político que governa os bastidores de nossa seleção é o grande adversário a ser batido. Afinal, times extremamente competitivos neste novo cenário futebolístico exigem trabalhos longevos e Carlo está apenas a um ano e uns quebrados à frente da Seleção Brasileira.
Todos nós sabemos que quase tudo o que envolve a seleção brasileira é revestido de resultadismo ou análises superficiais de um saudosismo infantil. A última vez que chegamos como favoritos a uma Copa do Mundo e vencemos foi em 1962. Depois disso, todas as nossas participações foram vistas com desconfiança e/ou, a exemplo desta, nossos jogadores foram ridicularizados e comparados com craques do passado que, na época, também eram ridicularizados.
Tudo isto me faz crer que o Hexa está a caminho. Torço para que seja neste ano, mas se mantivermos a lógica pragmática em detrimento das narrativas saudosistas, superficiais e publicitárias, além de evitarmos o resultadismo, é apenas uma questão de tempo.
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