Baianão Série A. O BAVI da final, é o que menos importa – por Erick Cerqueira
Sou um apaixonado por futebol e pelo Campeonato Baiano. Minhas memórias da disputa vêm desde o ano de 1982, como já contei em outro texto, quando colecionei o álbum Olé Bahia! E de lá pra cá são muitas décadas de história. Mas nunca tinha vivido, de verdade, essa parada.
Nos anos 1980, meu Bahia era arrasador. Tratorava todo mundo e, no final, fazia um BAVI onde normalmente a gente vencia.
Na década de 1990, começou a haver equilíbrio e os títulos passaram a ser divididos.
Então veio a década do lixo do Bahia, anos 2000-2010, onde a gente não ganhou nada. Mas Colo-Colo e Bahia de Feira evitaram que outro time fosse pentacampeão estadual. O título do Tremendão, inclusive, me fez escrever um texto chamado “Futebol Baiano 1×0 imprensa baiana”. Esse texto teve muita repercussão no Observatório da Imprensa, e Dalmo Carrera publicou no FutebolBaiano.com, gerando ampla repercussão e me fez começar a escrever sobre o Bahia.
O Bahia voltou!
Eis que no período 2011-2025, o Tricolor voltou a ser arrasador, vencendo 10 dos 15 títulos disputados. No ano passado, inclusive, trabalhei pra um time do interior, mas como eles disseram que eu “só fiz uns cards” nem vale a pena citar.
Mas aí veio a Série B do Baianão e fui chamado pelo Galícia pra assumir o marketing deles. Vamos lá.
Uma disputa complicadíssima, onde não estávamos nem entre os quatro maiores investimentos da competição, e ainda assim passamos pras semis. Eliminamos o Itabuna em uma das disputas de pênaltis mais absurdas da história (9×8). Na final perdemos pro Bahia de Feira, mas o acesso era mais importante.
Baianão Série A é descarregar um caminhão de cimento molhado a cada jogo
Pouco mais de cinco meses depois começamos a encarar a Série A do Baianão. Uma pedreira. A tabela era nossa inimiga. Pegaríamos a dupla BAVI fora de casa. Só teríamos quatro jogos com mando nosso. O Estádio de Pituaçu não estava liberado. Foi um caos.
O Bahia disparou com time B e C, então não entrou na brincadeira. Mas, dali pra baixo, foi briga de foice no escuro.
Chegamos à última rodada do penúltimo, Barcelona de Ilhéus, ao segundo, Vitória, era papo de maluquice. O Barça poderia se classificar entre os quatro e o rubro-negro poderia ficar fora do G4.
Já o meu granadeiro poderia avançar pras semis ou ser rebaixado como penúltimo.
Haja coração, amigo…
Quando tomamos o primeiro gol, a situação era crítica. O Tremendão vencia a Jacupa e o Barça vencia o Jequié. Éramos o penúltimo.
Na volta do segundo tempo o time desabou. Tomamos o segundo e o terceiro. E aí minha vida ficou assim: à frente, pela janela do camarote do Estádio Manoel Barradas, via o Galícia. No ouvido, ouvia o jogo do Barcelona. E ao lado esquerdo, na TVE, a Jacuipense virava com a graça de todos os orixás.
O goleiro da Jacuipense fazia milagres, o árbitro deu nove minutos de acréscimo e um pênalti aos 50 minutos pro Bahia de Feira. Ao meu lado, nosso presidente Manolo rezava pra Santiago de Compostela guiar o goleiro da Jacupa (que merece “o bicho” do Galícia).
E deu certo. O cara defendeu.
Era o rebaixamento da equipe que acabara de subir com a gente em 2025. Era o livramento que precisávamos. E o placar do Barradão perdeu a importância.
Ficamos!
Muito Além do Resultado
Ironicamente, eu, que tanto abusei a torcida dos caras com o Troféu Escape do Rebaixamento do Brasileirão 2025, nessa última rodada estava fazendo a mesma coisa, em pleno estádio deles, com o Galícia. Foi muita emoção.
E aí eu pergunto: como ainda tem gente que quer acabar com o Campeonato Estadual?
E eu mesmo respondo: porque tem gente que acha que Baiano é só BAVI na final.
O Campeonato Baiano chega à sua 121ª edição gerando emoção, emprego, renda, movimentando comércio, indústrias, imprensa, pipoca, acarajé, sorvete, histórias e resenhas. Mas a gente, no alto do nosso egocentrismo de torcedor dos dois clubes da Série A da Bahia, só vê como perda de tempo.
Vida longa ao Campeonato Baiano. Cheio de problemas e importâncias.
Parabéns à Juazeirense e Jacuipense que avançaram.
E principalmente ao Granadeiro por ter permanecido na Série A.
E para finalizar, uma frase do poeta Kekeu, jogador do Galícia:
“O bom do futebol é isso. O que estraga são os 90 minutos.”
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Baianão Série A. O BAVI da final, é o que menos importa – por Erick Cerqueira
Sou um apaixonado por futebol e pelo Campeonato Baiano. Minhas memórias da disputa vêm desde o ano de 1982, como já contei em outro texto, quando colecionei o álbum Olé Bahia! E de lá pra cá são muitas décadas de história. Mas nunca tinha vivido, de verdade, essa parada.
Nos anos 1980, meu Bahia era arrasador. Tratorava todo mundo e, no final, fazia um BAVI onde normalmente a gente vencia.
Na década de 1990, começou a haver equilíbrio e os títulos passaram a ser divididos.
Então veio a década do lixo do Bahia, anos 2000-2010, onde a gente não ganhou nada. Mas Colo-Colo e Bahia de Feira evitaram que outro time fosse pentacampeão estadual. O título do Tremendão, inclusive, me fez escrever um texto chamado “Futebol Baiano 1×0 imprensa baiana”. Esse texto teve muita repercussão no Observatório da Imprensa, e Dalmo Carrera publicou no FutebolBaiano.com, gerando ampla repercussão e me fez começar a escrever sobre o Bahia.
O Bahia voltou!
Eis que no período 2011-2025, o Tricolor voltou a ser arrasador, vencendo 10 dos 15 títulos disputados. No ano passado, inclusive, trabalhei pra um time do interior, mas como eles disseram que eu “só fiz uns cards” nem vale a pena citar.
Mas aí veio a Série B do Baianão e fui chamado pelo Galícia pra assumir o marketing deles. Vamos lá.
Uma disputa complicadíssima, onde não estávamos nem entre os quatro maiores investimentos da competição, e ainda assim passamos pras semis. Eliminamos o Itabuna em uma das disputas de pênaltis mais absurdas da história (9×8). Na final perdemos pro Bahia de Feira, mas o acesso era mais importante.
Baianão Série A é descarregar um caminhão de cimento molhado a cada jogo
Pouco mais de cinco meses depois começamos a encarar a Série A do Baianão. Uma pedreira. A tabela era nossa inimiga. Pegaríamos a dupla BAVI fora de casa. Só teríamos quatro jogos com mando nosso. O Estádio de Pituaçu não estava liberado. Foi um caos.
O Bahia disparou com time B e C, então não entrou na brincadeira. Mas, dali pra baixo, foi briga de foice no escuro.
Chegamos à última rodada do penúltimo, Barcelona de Ilhéus, ao segundo, Vitória, era papo de maluquice. O Barça poderia se classificar entre os quatro e o rubro-negro poderia ficar fora do G4.
Já o meu granadeiro poderia avançar pras semis ou ser rebaixado como penúltimo.
Haja coração, amigo…
Quando tomamos o primeiro gol, a situação era crítica. O Tremendão vencia a Jacupa e o Barça vencia o Jequié. Éramos o penúltimo.
Na volta do segundo tempo o time desabou. Tomamos o segundo e o terceiro. E aí minha vida ficou assim: à frente, pela janela do camarote do Estádio Manoel Barradas, via o Galícia. No ouvido, ouvia o jogo do Barcelona. E ao lado esquerdo, na TVE, a Jacuipense virava com a graça de todos os orixás.
O goleiro da Jacuipense fazia milagres, o árbitro deu nove minutos de acréscimo e um pênalti aos 50 minutos pro Bahia de Feira. Ao meu lado, nosso presidente Manolo rezava pra Santiago de Compostela guiar o goleiro da Jacupa (que merece “o bicho” do Galícia).
E deu certo. O cara defendeu.
Era o rebaixamento da equipe que acabara de subir com a gente em 2025. Era o livramento que precisávamos. E o placar do Barradão perdeu a importância.
Ficamos!
Muito Além do Resultado
Ironicamente, eu, que tanto abusei a torcida dos caras com o Troféu Escape do Rebaixamento do Brasileirão 2025, nessa última rodada estava fazendo a mesma coisa, em pleno estádio deles, com o Galícia. Foi muita emoção.
E aí eu pergunto: como ainda tem gente que quer acabar com o Campeonato Estadual?
E eu mesmo respondo: porque tem gente que acha que Baiano é só BAVI na final.
O Campeonato Baiano chega à sua 121ª edição gerando emoção, emprego, renda, movimentando comércio, indústrias, imprensa, pipoca, acarajé, sorvete, histórias e resenhas. Mas a gente, no alto do nosso egocentrismo de torcedor dos dois clubes da Série A da Bahia, só vê como perda de tempo.
Vida longa ao Campeonato Baiano. Cheio de problemas e importâncias.
Parabéns à Juazeirense e Jacuipense que avançaram.
E principalmente ao Granadeiro por ter permanecido na Série A.
E para finalizar, uma frase do poeta Kekeu, jogador do Galícia:
“O bom do futebol é isso. O que estraga são os 90 minutos.”





