ESTAMOS VIVOS, EMBORA HAJA QUEM DIGA QUE NÃO
Por Por 14/ 06/ 2026Categorias: Futebol

Grande parte da imprensa esportiva, que, em tese, são especialistas em futebol, está alternando críticas em relação ao nosso jogo de estreia na Copa do Mundo ontem, dizendo que não jogamos um futebol digno da camisa pesada da Seleção Brasileira ou que Carlo Ancelotti deveria ter posto em campo Endrick, o nosso salvador, assim que começamos a segunda etapa.

Grande parte desses dois argumentos se sustenta em uma lógica de mercado que tem de encontrar vilões ou heróis ao analisar individualmente um esporte que se sabe ser coletivo. Acontece que vender a individualidade é uma lógica mais sólida, conectada com um histórico de anos em que se jogava uma outra espécie de futebol, em que Romários, Ronaldinhos e Pelés eram o caminho para vencermos Copas.

Nas cinco Copas que conquistamos, este foi o tipo de narrativa que sobreviveu. As que perdemos, bem, sabemos que houve vilões, como Barbosa, em 50, que morreu sem ser perdoado e, certamente, o fato de ser negro em um país tão preconceituoso quanto o nosso pesou consideravelmente; até Dunga, que foi escolhido para Cristo em noventa, ou Roberto Carlos, que, supostamente, em conluio com a CBF e a FIFA, vendeu a Copa para a França.

Eu não duvido que uma coisa tão impactante e economicamente rentável como o futebol seja passível de interesses mesquinhos, análises distorcidas e falcatruas de toda ordem, mas, senhores, muitas vezes a resposta é tão simples que é um atestado utópico sustentar uma lógica contrária. Nós somos o país que mais venceu Copas do Mundo e nos classificamos para todas elas, mas isso não serve de absolutamente nada quando a partida começa.

Ontem, no jogo de estreia, pegamos uma das seleções mais fortes do mundo, demos testa em uma parte do jogo, fomos amassados em outra e o resultado foi um empate que não nos coloca no caminho de volta para casa. Muito pelo contrário, ainda estamos vivos, pois tudo está em aberto em nosso grupo. O futebol que praticávamos em oitenta e dois, que projetou nossa mística para o mundo, não existe mais; conforme-se com isso. Hoje, o futebol é um esporte em que a ciência do detalhe mensurável define jogos e faz equipes vencerem campeonatos.

NÃO FOI ABSURDO ENDRICK NÃO JOGAR

Ancelotti levou a campo Igor Thiago e é verdade que ele teve duas chances claras de gol e as desperdiçou. Como torcedor, eu também fiquei puto e queria que ele saísse imediatamente, mas acontece que Carletto leu muito bem a partida que nosso adversário estava fazendo e percebeu que nossa deficiência, além do natural nervosismo da estreia, estava em nosso melhor volante, Casemiro, seu homem de confiança desde o Madrid, mas lento demais para o jogo intenso dos marroquinos, e o sacou do jogo, assim como Ibañez, que estava sendo almoçado na lateral direita.

Graças a essas duas mudanças, conseguimos equilibrar a partida e acalmar o ímpeto dos marroquinos. Carletto sacou Igor Thiago, colocou Luiz Henrique e pôs Raphinha como um nove de mobilidade, função que ele faz comumente no Barça. Naturalmente, nossos adversários fizeram a leitura de que, com a nossa mudança tática para um 4-2-4, cederíamos mais espaços e, por isso, os caras fizeram substituições ofensivas.

Aí é que entra em campo o pragmatismo de nosso treinador, que a meu ver nos fará chegar longe nesta Copa: ao invés de colocar Endrick, como todos supunham que deveria ser feito, ele coloca no jogo Danilo, que é ofensivo, defende bem e, por conta do equilíbrio que entrega e da possibilidade de pisar na área adversária (como fez, quase marcando um gol), foi a melhor escolha.

A impressão que tenho é que Ancelotti está muito mais interessado em conquistar o título e ser pragmático do que “honrar” o manto verde e amarelo, sua mística ou qualquer grupo de palavras que nos sirva para descrever de maneira saudosista nossa seleção. Acho um preço justo a ser pago e, se der certo ou errado, já sabemos quem escolherão como culpado.

 

Diga aí. Que achou?

Compartilhe nas redes

Apoio

ESC3d - Designer Gráfico e Marketing

ESTAMOS VIVOS, EMBORA HAJA QUEM DIGA QUE NÃO

Por Por 14/ 06/ 2026Categorias: Futebol

Grande parte da imprensa esportiva, que, em tese, são especialistas em futebol, está alternando críticas em relação ao nosso jogo de estreia na Copa do Mundo ontem, dizendo que não jogamos um futebol digno da camisa pesada da Seleção Brasileira ou que Carlo Ancelotti deveria ter posto em campo Endrick, o nosso salvador, assim que começamos a segunda etapa.

Grande parte desses dois argumentos se sustenta em uma lógica de mercado que tem de encontrar vilões ou heróis ao analisar individualmente um esporte que se sabe ser coletivo. Acontece que vender a individualidade é uma lógica mais sólida, conectada com um histórico de anos em que se jogava uma outra espécie de futebol, em que Romários, Ronaldinhos e Pelés eram o caminho para vencermos Copas.

Nas cinco Copas que conquistamos, este foi o tipo de narrativa que sobreviveu. As que perdemos, bem, sabemos que houve vilões, como Barbosa, em 50, que morreu sem ser perdoado e, certamente, o fato de ser negro em um país tão preconceituoso quanto o nosso pesou consideravelmente; até Dunga, que foi escolhido para Cristo em noventa, ou Roberto Carlos, que, supostamente, em conluio com a CBF e a FIFA, vendeu a Copa para a França.

Eu não duvido que uma coisa tão impactante e economicamente rentável como o futebol seja passível de interesses mesquinhos, análises distorcidas e falcatruas de toda ordem, mas, senhores, muitas vezes a resposta é tão simples que é um atestado utópico sustentar uma lógica contrária. Nós somos o país que mais venceu Copas do Mundo e nos classificamos para todas elas, mas isso não serve de absolutamente nada quando a partida começa.

Ontem, no jogo de estreia, pegamos uma das seleções mais fortes do mundo, demos testa em uma parte do jogo, fomos amassados em outra e o resultado foi um empate que não nos coloca no caminho de volta para casa. Muito pelo contrário, ainda estamos vivos, pois tudo está em aberto em nosso grupo. O futebol que praticávamos em oitenta e dois, que projetou nossa mística para o mundo, não existe mais; conforme-se com isso. Hoje, o futebol é um esporte em que a ciência do detalhe mensurável define jogos e faz equipes vencerem campeonatos.

NÃO FOI ABSURDO ENDRICK NÃO JOGAR

Ancelotti levou a campo Igor Thiago e é verdade que ele teve duas chances claras de gol e as desperdiçou. Como torcedor, eu também fiquei puto e queria que ele saísse imediatamente, mas acontece que Carletto leu muito bem a partida que nosso adversário estava fazendo e percebeu que nossa deficiência, além do natural nervosismo da estreia, estava em nosso melhor volante, Casemiro, seu homem de confiança desde o Madrid, mas lento demais para o jogo intenso dos marroquinos, e o sacou do jogo, assim como Ibañez, que estava sendo almoçado na lateral direita.

Graças a essas duas mudanças, conseguimos equilibrar a partida e acalmar o ímpeto dos marroquinos. Carletto sacou Igor Thiago, colocou Luiz Henrique e pôs Raphinha como um nove de mobilidade, função que ele faz comumente no Barça. Naturalmente, nossos adversários fizeram a leitura de que, com a nossa mudança tática para um 4-2-4, cederíamos mais espaços e, por isso, os caras fizeram substituições ofensivas.

Aí é que entra em campo o pragmatismo de nosso treinador, que a meu ver nos fará chegar longe nesta Copa: ao invés de colocar Endrick, como todos supunham que deveria ser feito, ele coloca no jogo Danilo, que é ofensivo, defende bem e, por conta do equilíbrio que entrega e da possibilidade de pisar na área adversária (como fez, quase marcando um gol), foi a melhor escolha.

A impressão que tenho é que Ancelotti está muito mais interessado em conquistar o título e ser pragmático do que “honrar” o manto verde e amarelo, sua mística ou qualquer grupo de palavras que nos sirva para descrever de maneira saudosista nossa seleção. Acho um preço justo a ser pago e, se der certo ou errado, já sabemos quem escolherão como culpado.

 

Compartilhe nas redes

Diga aí. Que achou?

É Rubro-negro de corpo, alma e coração. Além de escritor, Relações Públicas, Consultor de Marketing Digital e Social Media.

Apoio

ESC3d - Designer Gráfico e Marketing